Deputado Binho Galinha é condenado a mais de 30 anos de prisão na Bahia

  • 09/07/2026
(Foto: Reprodução)
Deputado estadual Binho Galinha é condenado O deputado estadual Kleber Cristian Escolano, mais conhecido como "Binho Galinha", do partido Avante, foi condenado a mais de 36 anos de prisão, nesta quinta-feira (9). A decisão leva em conta crimes ligados ao Estatuto do Desarmamento, incluindo posse ilegal de armas, posse de arma com numeração ou sinal identificador adulterado e fornecimento ou permissão de acesso de arma de fogo a adolescente. Além do deputado, outras quatro pessoas foram condenadas, incluindo a esposa dele, identificada como Mayana Cerqueira da Silva. Eles podem recorrer, mas o deputado não terá direito a aguardar em liberdade. (Confira penas detalhadas abaixo) 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Feira de Santana e região Um 5º investigado, identificado como Kleber Herculano de Jesus, conhecido como "Charutinho", teve a punibilidade extinta pela Justiça por já ter morrido. A data da morte, no entanto, não foi divulgada. Penas fixadas no caso Binho Galinha A condenação está relacionada à "Operação El Patrón", que também investiga o envolvimento do baiano com organização criminosa, lavagem de dinheiro e jogos de azar. Ações que apuram esses crimes estão em andamento. O deputado está preso desde outubro do ano passado. Apesar disso, Binho segue no quadro da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Por isso, além da condenação, a juíza Márcia Simões Costa, responsável pelo julgamento, também oficializou o órgão sobre a decisão, para "adoção de medidas cabíveis". Em nota, o advogado Gamil Foppel, responsável pela defesa de Binho Galinha, afirmou que o cliente é inocente e reforçou que o resultado do julgamento tem uma pena "desproporcional e dissociada" da realidade dos autos. Disse ainda que confia nas instituições e na Justiça, e acredita que a inocência do parlamentar será reconhecida, pelas instâncias superiores. (Leia posicionamento completo abaixo) Em nota, a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) informou que já tramita na Casa um processo para apuração dos fatos envolvendo o deputado no âmbito parlamentar. Segundo a Presidência, o caso foi encaminhado ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, responsável pela instrução do processo e emissão de parecer. A Alba afirmou ainda que a decisão judicial em primeira instância será analisada dentro desse processo, respeitando as competências do Conselho de Ética e, posteriormente, do plenário da Casa, quando for o caso. A Presidência reafirmou o compromisso com o cumprimento da Constituição, do Regimento Interno e da autonomia dos órgãos da Assembleia. Em nota, o deputado Vitor Bonfim (PDT), que é presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, informou que, até o momento, não foi formalmente cientificado sobre a tramitação do referido processo. Segundo o posicionamento, por conta das mudanças ocorridas durante a janela partidária, a composição do Conselho de Ética precisa ser atualizada — etapa que, conforme a nota, depende da indicação dos nomes pelas lideranças partidárias. "Tão logo haja a regularização da composição e a formalização dos encaminhamentos cabíveis, o tema será tratado com responsabilidade institucional, serenidade e respeito ao Regimento Interno da Assembleia Legislativa da Bahia", diz um trecho do posicionamento. A equipe de reportagem também procurou as defesas dos demais citados na decisão, mas, até a última atualização desta reportagem, não havia conseguido contato. Relembre o caso STJ de Justiça anula Operação El Patrón que teve como alvo o deputado Binho Galinha Agência Alba Binho Galinha é acusado de comandar uma milícia com mais de uma década de atuação em Feira de Santana, segunda maior cidade do estado. As apurações contra o grupo foram iniciadas em 2023. Segundo as investigações, os suspeitos usavam empresas de fachada para lavar dinheiro proveniente de atividades criminosas, incluindo a venda de peças de carros roubados em uma loja de autopeças em Feira de Santana. A sentença desta quinta-feira, da Vara Criminal e Crimes contra a Criança e o Adolescente da Comarca de Feira de Santana, aponta que Binho Galinha mantinha um expressivo arsenal distribuído em diferentes imóveis urbanos e rurais, em desacordo com as normas de controle de armas. Durante as buscas realizadas na operação, foram apreendidos armamentos de uso permitido e restrito, munições, armas com numeração adulterada ou suprimida e equipamentos armazenados em locais não autorizados. Atualmente, o deputado está custodiado em uma sala de Estado-Maior, no Centro de Observação Penal (COP), no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. O que diz a defesa na íntegra "Muito embora o Deputado Estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida seja inocente, a defesa técnica não teria como esperar resultado diferente, não pelo fato de não representar uma injustiça, porque é uma injustiça clamorosa, mas não se poderia esperar algo diferente de uma decisão repleta de inconsistências, imprecisões e erros técnicos primários, proferida por juíza absolutamente incompetente para o julgamento da matéria, magistrada que é alvo de exceção de suspeição, ainda pendente de julgamento definitivo nas instâncias superiores. O parlamentar recebeu a notícia da decisão com absoluta serenidade e com a tranquilidade de quem confia na correção do resultado pelas instâncias superiores. A condenação causa perplexidade. Tratam-se de imputações de natureza estritamente administrativa, dirigidas a cidadão detentor de registro regular de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), cujas armas estão devidamente registradas e declaradas aos órgãos de controle. A sentença converteu questões de mera irregularidade documental e de local de guarda em condenação criminal que ultrapassa trinta anos — pena superior à aplicada, no país, a crimes gravíssimos contra a vida. Desproporcionalidade evidente. A decisão multiplicou artificialmente as imputações, somando materialmente catorze infrações extraídas de um único contexto fático, sem enfrentar adequadamente as teses defensivas. O resultado é uma pena manifestamente desproporcional, dissociada da realidade dos autos e dos parâmetros mais elementares do Direito Penal, que ignora solenemente as regras mais básicas de concurso de crimes. Outra perplexidade é que o Deputado respondeu a todo o processo em liberdade, e no exato momento em que os habeas corpus à primeira prisão sobe ao Superior Tribunal de Justiça, sobrevém nova ordem de prisão sem qualquer fundamento — a exemplo da que está em curso, na qual o próprio Ministério Público arquivou todos os fatos que a embasavam. Não há qualquer fundamento novo que possa justificar uma violência processual desta natureza. Assim como, depois da pirotecnia e balbúrdia da prisão, os ilustrados presentantes do MP/Ba ARQUIVARAM os fatos que ensejaram a prisão, e se criou uma regra inexistente: não há fundamento para denunciar, mas há fundamento para prender? Registre-se, ainda, que a decisão, proferida por juízo de primeiro grau e sujeita a recurso, não produz qualquer efeito sobre a elegibilidade do Deputado, que permanece no exercício de seu mandato e de seus direitos políticos. Tão logo formalmente intimada da sentença, a defesa adotará todas as medidas judiciais cabíveis perante o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia e os Tribunais Superiores, com a plena convicção de que a decisão será integralmente reformada. A defesa reafirma sua confiança nas instituições e na Justiça, certa de que a inocência do parlamentar será reconhecida, pelas instâncias superiores, de forma técnica e desapaixonada". LEIA MAIS: Justiça aceita nova denúncia do MP-BA e Binho Galinha passa a ser réu em mais um processo Deputado Binho Galinha está preso em Sala de Estado-Maior em Salvador; parlamentar é suspeito de chefiar milícia TRE-BA arquiva investigação contra deputado Binho Galinha por suposta coação eleitoral em cidade do interior da Bahia Veja mais notícias de Feira de Santana e região. Assista aos vídeos do g1 e TV Subaé 💻

FONTE: https://g1.globo.com/ba/feira-de-santana-regiao/noticia/2026/07/09/deputado-binho-galinha-na-bahia.ghtml


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